quarta-feira, 22 de abril de 2009

Casa do Cordel - o primeiro espaço cultural totalmente destinado a valorização da literatura de cordel


por Laila Carlos e Lua Benatto

O Cordel

Nessa manifestação de puro folclore, o poeta canta os costumes e as crenças populares do mais genuíno sentimento nordestino. O cordel é do povo para o povo. Não há limite na escolha do tema para a criação de um folheto. Na maioria das vezes, os versos contam estórias com a intenção de entreter o público através de uma maneira singular de fazer arte. Há quem diga que foram os lusos que trouxeram os folhetins para o Brasil, outros afirmam que os folhetos vieram da Alemanha. Controversias à parte, o cordel se popularizou no Brasil como um verdadeiro retrato da poesia narrativa do nordeste.

Xilogravura

O imaginário popular é ilustrado através das figuras que formam a capa dos folhetins.Uma arte a parte conhecida como Xilogravura. Esse método é a forma de impressão mais antiga do mundo e está intimamente relacionado à literatura de cordel. Uma prova, é que quase todos os xilogravadores populares brasileiros, principalmente no Nordeste do País, são cordelistas. O Xilógrafo Erick Lima, divide seu tempo entre a universidade e a produção dos desenhos. “É um trabalho minuscioso, me inspiro no próprio cordel e na convivência com os poetas” afirma.

A Casa do Cordel

Em Natal, a literatura de cordel vem ganhando cada vez mais espaço. Uma demonstração disso, foi a abertura da Casa do Cordel. Iniciativa do poeta Abaeté, presidente da Associação dos Cordelistas de Natal. No Rio Grande do Norte, este é o primeiro espaço cultural, totalmente destinado a valorização desse tipo de literatura. Além dos milhares de folhetins pendurados na parede, encontram-se também cordéis em braile, confeccionados especialmente para que os deficientes visuais possam ter o prazer de ler o cordel. O lugar é ponto de encontro de artistas, poetas, escritores, jornalistas e curiosos. “A casa nasceu com a finalidade de reunir nossos poetas para debates, palestras, lançamentos de livros e divulgar nosso cordel para o grande público” afirma Abaeté. No espaço, os visitantes respiram cultura e abraçam os versos de grandes nomes da literatura popular, entre eles Antônio Francisco, Crispiniano Neto, Paulo Varela, Bob Motta, Manoel Azevedo, e muitos outros. Além de formentar a literatura de cordel para novos leitores, leva o nome da cidade em forma de versos para vários pontos do País. Para quem não conhece a Casa do Cordel vai a dica:Vale a pena passar pelo corredor de folhetins e ao chegar no final se encantar com esse maravilhoso mundo da literatura tipicamente nordestina. Um ambiente simples e mágico, como todo lugar onde a imaginação e a arte são a matéria-prima.
Conheça a Casa do Cordel:Rua Vigário Bartolomeu, proximo ao mítico “ Beco da lama”.

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